Gnómon

#272 Viagem

Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras. Mas quando não há imagens, umas palavras valem tanto como mil palavras.

Aqui fica a imagem  de uma viagem preciosa, descrita pelo Francisco no seu Maio Maduro Maio :

“  E recordo uma das mais deliciosas viagens que fiz em Portugal, ao dealbar da década de 80: das Caldas do Gerês às Terras do Bouro, S. Bento da Porta Aberta, S. João do Campo, atravessar o Rio Homem por sobre a barragem, subir a margem direita até às ruínas de Vilarinho da Furna (descobertas pelo abaixamento das águas), subir pela estrada romana toda a Serra Amarela até encontrar a Antena da Louriça, apanhando daí, então, uma boleia no Jeep de serviço até Arcos de Valdevez. Acabar depois numa feira comprando uma manta típica e um vinil dos Twinkle Brothers em 2ª mão (Praise Jah). O João D. com a mochila cheia de calhaus rolados apanhados nas lagoas. Calhaus perfeitos, grandes e pesados. E a pé, sempre (com umas boleias pelo meio), subindo, acampando, vendo os cavalos selvagens nas margens, por entre pedras e troncos de árvores antigas trazidas pela corrente. Pernoitando debaixo de estrelas e habitando o silêncio junto de grandes lagoas transparentes por entre os pedregulhos, mergulhando nas águas das grandes poças límpidas e frias como a própria alma da floresta. Dos que me poderão ler, lembrar-se-ão a Amorena e a Margaridaa (o malvado saco onde transportávamos um pequeno fogão para cozinharmos, não dava jeito nenhum a transportar, pelo que se tornou recorrente amaldiçoarmos o “asminho”!…). E a aflição, em plena Serra Amarela, depois de um “encontro imediato” com um boi barrosão parado no meio das lajes da estrada romana, com frentes de incêndio por todos os lados, nas serras vizinhas. E nós transidos pelo cansaço, determinados a prosseguir, mas medindo o perigo no horizonte. Imagem de horror. Essa foi uma verdadeira viagem!…”

  1. Holof. diz:

    Eu não estava lá mas tenho pena… Uma vez mais fico pasmado com a prodigiosa memória do Maio!

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