Gnómon

#355 Words in a box (2)

Li há muitos anos, num livro de Aldous Huxley, parece-me que “Na Ilha”: havia um que tinha sido mordido por uma cobra, e o ferimento doía, e foi incitado por outro a repetir vezes sem conta que a mordidela lhe doía, de tal maneira que por fim o que lhe doía já não lhe doía tanto.

Acontece por vezes observar situações onde as pessoas, perante o que acontece, fazem segredo disso, põe a realidade em caixinhas bem tapadas, e cada um guarda a sua caixinha, e o que está dentro da caixinha  porque não se vê e se encontra às escuras, toma proporções maiores na cabeça de cada um.

Eu sei, explico-me mal, mas apeteceu-me dizer, quanto mais não seja, para o dizer, que quando as coisas são faladas, ditas, olhadas de frente e à luz, resumem-se ao que são, mesmo que sejam coisas menos boas.

  1. xinha diz:

    explicas-te bem, e é isso mesmo, como contas.. E será que há coisas menos boas? ou as que consideramos menos boas não tem tb um propósito?

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